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"Abstenção: Indiferença ou indignação?"

"Assistimos no passado dia 26 de Maio às Eleições Europeias e à vitória da abstenção por 69,3%.  É inequívoco dizer que mais de metade dos portugueses ficaram em casa e deixaram a sua decisão nas mãos de uma minoria de votantes, digamos que se a abstenção resolvesse alguma coisa, Portugal estava ótimo.

Perante este facto temos todos que refletir o que se faz e o que se quer fazer em Portugal e afunila-se a reflexão de uma maneira mais concisa para partidos políticos confrontando-os com a seguinte questão: SERÁ INDIFERENÇA OU INDIGNAÇÃO?

Desta boa pergunta, talvez ainda não haja uma resposta concreta e explícita, mas existem obviamente os dois lados da balança. O peso da indiferença é muito grande na balança da abstenção devido ao facto de muitos portugueses não acreditarem nas mudanças que as próprias eleições possam fazer no país e, muitos deles, têm na ponta da língua a famosa frase “Para quê ir votar se não muda nada?”.

Uma achega aos jovens, que são a maioria na abstenção conectada à indiferença, que, na grande parte das vezes, não se encontram devidamente informados relativamente ao direito do voto, não por causa da falta de informação, mas pela falta de interesse e vontade.

Do outro lado da balança, temos um peso muito grande: a indignação, que do meu ponto de vista, é o peso mais robusto que distorce qualquer medição. Muitos portugueses não se revêm nas políticas dos partidos candidatos, embora eles tenham sido bastantes, e, cada vez mais, aborrecidos com a política do deita abaixo que muito está em voga. Não se revêm com a maneira como querem levar o país, o seu Querido Portugal, e veem na classe política um enorme e crescente descrédito, não só pelas palavras que dirigem, mas pelas atitudes que tomam em prol do bem comum.

Acredito piamente que a balança da abstenção não deveria sequer existir, e, comparada com a afluência, deveria ser um peso sem significado algum, mas de momento que é um peso enorme, algo tem de ser refletido e corrigido, porque desta maneira Portugal e a nossa nobre democracia sofrem.

Todos devíamos lutar por Portugal, porque é nosso, porque é o nosso país, porque é o local onde nascemos, vivemos e planeamos os nossos projetos futuros.


Emanuel Alexis"


Publicado no Jornal Correio da Feira - Edição 3 de Junho de 2019